Algo que é
muito questionado pelos amantes de pedais e efeitos é sobre qual a melhor opção
de by-pass nos pedais, vamos
conversar um pouco sobre isso...
Em primeiro lugar, para que
possamos mergulhar nesse assunto, precisamos compreender o que é uma chave
eletrônica: é um dispositivo que organiza conexões. Em outras palavras, ele
pode ser utilizado para que um sinal possa percorrer ou não um circuito, como
no caso de um botão POWER que na posição ON permite a entrada da corrente,
enquanto na posição OFF, inibe a entrada da corrente no circuito. Por outra
ótica, em um momento a chave POWER direciona a corrente para dentro do circuito
(ON), já em outra situação a tensão é direcionada para o vazio (OFF).
Agora, o que é by-pass? A
expressão é vinda do inglês derivada da sentença passing by que em livre tradução significa “passando por”, ou
passagem, em português o termo eletrônico utilizado é chaveamento.
Mas pra quê serve esse
chaveamento? Simples: o motivo dos circuitos serem utilizado em formato de
pedal é para que o músico possa acioná-lo ou desligá-lo a qualquer momento sem
dispor de suas mãos, se utilizando geralmente de um botão acionável aos pés.
Ao analisarmos de uma ótica mais técnica,
notamos que em alguns momentos o sinal do instrumento passa pelo circuito
eletrônico, e em outros passa direto. Esse é o famoso sistema de chaveamento ou
by-pass, que garante ao toque de seus
pés que o sinal entre ou saia direto pelo efeito.
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| Ilustração de sistema de by-pass |
Em linhas gerais, existem dois estilos de
chaveamento: o true by-pass (TBP)e o buffered by-pass (BBP).
No primeiro estilo, o sinal do pedal é direcionado pra dentro ou pra fora do
circuito do efeito, através de uma única chave. Dessa forma, fica
garantido que o sinal não seja alterado quando o pedal estiver desligado. Já no
estilo buffered by-pass, antes do
sinal ser direcionado, ele passa por um buffer
que adiciona ao sinal um ganho extra. A grande discussão acerca desse assunto acontece
devido as diferentes características entre os estilos. E para escolher a melhor
alternativa é preciso conhecer as ferramentas.
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| Ilustração do sinal passando por sistema true by-pass |
O primeiro ponto a ser estudado sobre o assunto é quanto à integridade do sinal. Em todo cabo, conector, solda, etc. é natural e inevitável que haja uma perda em seu som. Esse fenômeno em sistemas pequenos é desprezível, no entanto, como em nossas cadeias utilizamos vários cabos(alguns deles longos) e muitos conectores, essa perda fica muito evidente. Analisando sob essa ótica, o BBP seria uma excelente arma para minimizar os efeitos dessa perda de integridade sonora.
Porém, vamos falar um pouco dos buffers: eles
têm como função adicionar um pouco mais de ganho a algumas frequências que
tendem a se perder pela cadeia. Dessa forma, compensam as perdas que tanto
foram citadas. Até esse ponto, o sistema BBP
parece ser a melhor opção, porém trás duas principais desvantagens: nenhum
sistema é perfeito e ele sempre acaba por não alterar somente as frequências
perdidas, mudando também o timbre original do instrumento plugado quando o
pedal está desligado; a segunda que em casos extremos, a adição de vários
pedais “buffados” em série pode apresentar um aumento de ganho acentuado, a
ponto de saturar seu timbre muito antes do desejado, trazendo distorções
indesejáveis.
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| Ilustração do sinal sendo transportado pelo sistema buffered by-pass |
Poxa, que legal! E agora? Qual é a melhor
opção?
Eis aí uma das mais memoráveis discussões
entre músicos, onde uns dizem que o BBP
deixa o som mais bonito e sem perdas, enquanto outros defendem piamente que não
deve haver nenhuma alteração no sinal original.
Em minha opinião o som da guitarra deve ser
preservado a todo custo, pessoalmente sou fã pelo timbre mesmo sem a adição de
efeitos, e infelizmente o BBP acaba
por tirar um pouco da “magia” individual que cada instrumento e captadores
apresentam em sua arquitetura.
Embora em alguns casos a utilização de
buffers sejanecessária, listo a seguir alguns macetes e truques que vão fazer
com que você possa minimizar a perda de sinal e se deleitar de efeitos TBP:
1.
Cabos: eles
são talvez a maior fonte de degradação de sinal. Procure utilizar cabos de boa
qualidade e nunca se esqueça: quanto menos cabos melhor, e quanto menores os
cabos também.
2.
Conectores:
procure utilizar conectores de boa qualidade. Se for você mesmo quem confecciona,
tenha muito cuidado com as soldas e isolamento: opte por um serviço limpo e
preciso.
3.
Se você tem
um set grande de pedais, subdivida seus pedais em cadeias menores, utilizando pedais
loopers ou switchers (logo mais vamos abordar melhor esse assunto).
4.
Para um set
muito grande de pedais, abuse e use do seu loop de efeitos assim como procure
adicionar um ou dois pedais BBP.
5.
Conserve bem
seus cabos e conectores: parece besteira, mas a limpeza e conservação deles são
imprescindíveis para sua durabilidade e qualidade. Ao guardar, enrole os cabos
com cuidado, mantenha os cabos sempre longe da umidade, periodicamente faça uma
limpeza na ponta dos cabos e conectores com um spray limpa contatos.
Bom pessoal, acho que por hora é só. Essa
postagem tem como objetivo explicar um pouco desse assunto de maneira menos
técnica possível, além de abrir um espaço para discussão entre músicos. A
polêmica envolvendo os estilos de bypass
é bem extensa, e para qualquer dúvida ou contribuição utilize os comentários
abaixo!



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