domingo, 14 de setembro de 2014

TRUE BY-PASS, OU BUFFERED BY-PASS?

                Algo que é muito questionado pelos amantes de pedais e efeitos é sobre qual a melhor opção de by-pass nos pedais, vamos conversar um pouco sobre isso...
                Em primeiro lugar, para que possamos mergulhar nesse assunto, precisamos compreender o que é uma chave eletrônica: é um dispositivo que organiza conexões. Em outras palavras, ele pode ser utilizado para que um sinal possa percorrer ou não um circuito, como no caso de um botão POWER que na posição ON permite a entrada da corrente, enquanto na posição OFF, inibe a entrada da corrente no circuito. Por outra ótica, em um momento a chave POWER direciona a corrente para dentro do circuito (ON), já em outra situação a tensão é direcionada para o vazio (OFF).
                Agora, o que é by-pass? A expressão é vinda do inglês derivada da sentença passing by que em livre tradução significa “passando por”, ou passagem, em português o termo eletrônico utilizado é chaveamento.
                Mas pra quê serve esse chaveamento? Simples: o motivo dos circuitos serem utilizado em formato de pedal é para que o músico possa acioná-lo ou desligá-lo a qualquer momento sem dispor de suas mãos, se utilizando geralmente de um botão acionável aos pés.
Ao analisarmos de uma ótica mais técnica, notamos que em alguns momentos o sinal do instrumento passa pelo circuito eletrônico, e em outros passa direto. Esse é o famoso sistema de chaveamento ou by-pass, que garante ao toque de seus pés que o sinal entre ou saia direto pelo efeito.

Ilustração de sistema de by-pass

Em linhas gerais, existem dois estilos de chaveamento: o true by-pass (TBP)e o buffered by-pass (BBP). No primeiro estilo, o sinal do pedal é direcionado pra dentro ou pra fora do circuito do efeito, através de uma única chave. Dessa forma, fica garantido que o sinal não seja alterado quando o pedal estiver desligado. Já no estilo buffered by-pass, antes do sinal ser direcionado, ele passa por um buffer que adiciona ao sinal um ganho extra. A grande discussão acerca desse assunto acontece devido as diferentes características entre os estilos. E para escolher a melhor alternativa é preciso conhecer as ferramentas.

Ilustração do sinal passando por sistema true by-pass

O primeiro ponto a ser estudado sobre o assunto é quanto à integridade do sinal. Em todo cabo, conector, solda, etc. é natural e inevitável que haja uma perda em seu som. Esse fenômeno em sistemas pequenos é desprezível, no entanto, como em nossas cadeias utilizamos vários cabos(alguns deles longos) e muitos conectores, essa perda fica muito evidente. Analisando sob essa ótica, o BBP seria uma excelente arma para minimizar os efeitos dessa perda de integridade sonora.
Porém, vamos falar um pouco dos buffers: eles têm como função adicionar um pouco mais de ganho a algumas frequências que tendem a se perder pela cadeia. Dessa forma, compensam as perdas que tanto foram citadas. Até esse ponto, o sistema BBP parece ser a melhor opção, porém trás duas principais desvantagens: nenhum sistema é perfeito e ele sempre acaba por não alterar somente as frequências perdidas, mudando também o timbre original do instrumento plugado quando o pedal está desligado; a segunda que em casos extremos, a adição de vários pedais “buffados” em série pode apresentar um aumento de ganho acentuado, a ponto de saturar seu timbre muito antes do desejado, trazendo distorções indesejáveis.


Ilustração do sinal sendo transportado pelo sistema buffered by-pass

Poxa, que legal! E agora? Qual é a melhor opção?
Eis aí uma das mais memoráveis discussões entre músicos, onde uns dizem que o BBP deixa o som mais bonito e sem perdas, enquanto outros defendem piamente que não deve haver nenhuma alteração no sinal original.
Em minha opinião o som da guitarra deve ser preservado a todo custo, pessoalmente sou fã pelo timbre mesmo sem a adição de efeitos, e infelizmente o BBP acaba por tirar um pouco da “magia” individual que cada instrumento e captadores apresentam em sua arquitetura.
Embora em alguns casos a utilização de buffers sejanecessária, listo a seguir alguns macetes e truques que vão fazer com que você possa minimizar a perda de sinal e se deleitar de efeitos TBP:
1.      Cabos: eles são talvez a maior fonte de degradação de sinal. Procure utilizar cabos de boa qualidade e nunca se esqueça: quanto menos cabos melhor, e quanto menores os cabos também.
2.      Conectores: procure utilizar conectores de boa qualidade. Se for você mesmo quem confecciona, tenha muito cuidado com as soldas e isolamento: opte por um serviço limpo e preciso.
3.      Se você tem um set grande de pedais, subdivida seus pedais em cadeias menores, utilizando pedais loopers ou switchers (logo mais vamos abordar melhor esse assunto).
4.      Para um set muito grande de pedais, abuse e use do seu loop de efeitos assim como procure adicionar um ou dois pedais BBP.
5.      Conserve bem seus cabos e conectores: parece besteira, mas a limpeza e conservação deles são imprescindíveis para sua durabilidade e qualidade. Ao guardar, enrole os cabos com cuidado, mantenha os cabos sempre longe da umidade, periodicamente faça uma limpeza na ponta dos cabos e conectores com um spray limpa contatos.
Bom pessoal, acho que por hora é só. Essa postagem tem como objetivo explicar um pouco desse assunto de maneira menos técnica possível, além de abrir um espaço para discussão entre músicos. A polêmica envolvendo os estilos de bypass é bem extensa, e para qualquer dúvida ou contribuição utilize os comentários abaixo!

Até mais, e bons sons!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Curta nossa Fanpage

Paleari Custom Sound