quinta-feira, 25 de setembro de 2014

APRENDA A CONSERVAR SEUS CABOS!


                Todos nós músicos especializados em instrumentos elétricos vivemos cercados por cabos: os de sinal, os entre pedais, os de fonte, os cabos elétricos, os de microfone, os cabos paralelos de falantes, etc. Também sabemos que os cabos são sempre uma pedra em nossos sapatos, pois vira e mexe somos pegos desprevenidos por um cabo defeituoso, afinal de contas quem nunca passou esse nervoso, seja em casa, durante um ensaio ou mesmo no palco....acontece!


                Infelizmente eles sempre serão temíveis, porém algumas dicas sobre cuidados e conservação podem minimizar muito esse medo! Vamos a elas?

1.      Acomode bem: Cabos custam caro e são delicados. No meio de toda sua tralha musical, busque ter uma mala ou bolsa exclusiva para seus cabos e algumas outras coisas. Procure uma onde exista o espaço ideal e lembre-se que a maioria dos problemas ocorridos com cabos são ocasionados por intervenções mecânicas, tais como impactos ou dobraduras, logo um espaço de tamanho ideal pode evitar muitas torções e pancadas.

Cabo bem enrolado



2.      Use na medida certa: Sobre condutores de sinal a frase é: “quanto menos, melhor”. Ou seja, além da depreciação do sinal causada pelo comprimento do cabo, um cabo menor trás menos chances de defeito.

3.      Tenha reservas: Sabemos que cabos custam caro, porém é importante ter alguns exemplares, mesmo que usados ou recondicionados, na bolsa pra uma eventual emergência.

4.      Escolha bem na hora da compra: Ao comprar cabos, seja criterioso: procure os que apresentem boa resistência mecânica, preste muita atenção aos conectores. Uma boa dica é levar o seu instrumento ou pedal pra testar antes da compra, pois em alguns casos os conectores não se ajustam em seu instrumento.

5.      Enrole bem: Boa parte das torções danosas aos cabos é causada no momento de enrolá-los. Ao fazer o rolo procure obedecer ao formato que o cabo já vem enrolado. NUNCA, repito NUNCA aplique pressão ao enrolar seus cabos!

6.      Organização: Uma boa dica pra que seus cabos sempre estejam bem enrolados e organizados é colar um pedaço de velcro na ponta para que eles se mantenham em ordem. Além de que, esse simples processo evita que eles se embolem com outros na mala. Faça você mesmo!

Detalhe da fita de velcro, garante que seu cabo mantenha-se enrolado



7.      Limpeza é sempre bem vinda: Algo que todo o guitarrista deveria conhecer é o spray limpa contatos: esse aerossol salva vidas! Basta de vez em quando espirrar um pouco na ponta de seus cabos e retirar o excesso com uma flanela limpa. Essa dica também é válida para fêmeas, potenciômetros, chaves seletoras, etc. CUIDADO: Spray limpa contatos é diferente (e muito) de sprays de óleo desengripante, esse último pode danificar seus aparelhos.

8.      Combata a umidade: Lembre-se “água” + “metal” tende a gerar ferrugem. Ferrugem gera resistência, e resistência por sua vez gera perda de sinal. Certifique-se que seus cabos estejam longe da umidade, em caso de viagens coloque dentro de sua bolsa de cabos um pacotinho daqueles de sílica (que vêm em caixas de eletrônicos). Sempre que possível retire seus cabos da mala e deixe-os em um local seco e arejado.

9.      Crie consciência de espaço: Evite a todo custo impacto aos cabos e procure lembrar que você está tocando com um algo “amarrado” a sua cintura: evite corridas repentinas, pulos desprogramados e exaltações em geral. Lembre-se que um “rolê” no palco pode enrolar seu baixista, vocalista, etc.

10.   O velho truque da alça: Procure “enroscar” seu cabo para que a ligação entre o cabo propriamente dito e o conector esteja mais livre de impactos e puxões, uma boa dica é enroscar o cabo na sua alça (talabar). É um truque muito antigo, mas que resolve muito!

O cabo "enroscado" na alça evita que um eventual impacto atinja a região crítica do conector



É isso aí pessoal, por mais que essas dicas pareçam simples, posso afirmar que são extremamente funcionais e vão ajudar a melhorar a durabilidade de seus cabos. Vale a pena lembrar que elas funcionam pra qualquer cabo: os de instrumento, os de pedais, os da fonte, etc.
Um abraço e bons sons!  

domingo, 14 de setembro de 2014

TRUE BY-PASS, OU BUFFERED BY-PASS?

                Algo que é muito questionado pelos amantes de pedais e efeitos é sobre qual a melhor opção de by-pass nos pedais, vamos conversar um pouco sobre isso...
                Em primeiro lugar, para que possamos mergulhar nesse assunto, precisamos compreender o que é uma chave eletrônica: é um dispositivo que organiza conexões. Em outras palavras, ele pode ser utilizado para que um sinal possa percorrer ou não um circuito, como no caso de um botão POWER que na posição ON permite a entrada da corrente, enquanto na posição OFF, inibe a entrada da corrente no circuito. Por outra ótica, em um momento a chave POWER direciona a corrente para dentro do circuito (ON), já em outra situação a tensão é direcionada para o vazio (OFF).
                Agora, o que é by-pass? A expressão é vinda do inglês derivada da sentença passing by que em livre tradução significa “passando por”, ou passagem, em português o termo eletrônico utilizado é chaveamento.
                Mas pra quê serve esse chaveamento? Simples: o motivo dos circuitos serem utilizado em formato de pedal é para que o músico possa acioná-lo ou desligá-lo a qualquer momento sem dispor de suas mãos, se utilizando geralmente de um botão acionável aos pés.
Ao analisarmos de uma ótica mais técnica, notamos que em alguns momentos o sinal do instrumento passa pelo circuito eletrônico, e em outros passa direto. Esse é o famoso sistema de chaveamento ou by-pass, que garante ao toque de seus pés que o sinal entre ou saia direto pelo efeito.

Ilustração de sistema de by-pass

Em linhas gerais, existem dois estilos de chaveamento: o true by-pass (TBP)e o buffered by-pass (BBP). No primeiro estilo, o sinal do pedal é direcionado pra dentro ou pra fora do circuito do efeito, através de uma única chave. Dessa forma, fica garantido que o sinal não seja alterado quando o pedal estiver desligado. Já no estilo buffered by-pass, antes do sinal ser direcionado, ele passa por um buffer que adiciona ao sinal um ganho extra. A grande discussão acerca desse assunto acontece devido as diferentes características entre os estilos. E para escolher a melhor alternativa é preciso conhecer as ferramentas.

Ilustração do sinal passando por sistema true by-pass

O primeiro ponto a ser estudado sobre o assunto é quanto à integridade do sinal. Em todo cabo, conector, solda, etc. é natural e inevitável que haja uma perda em seu som. Esse fenômeno em sistemas pequenos é desprezível, no entanto, como em nossas cadeias utilizamos vários cabos(alguns deles longos) e muitos conectores, essa perda fica muito evidente. Analisando sob essa ótica, o BBP seria uma excelente arma para minimizar os efeitos dessa perda de integridade sonora.
Porém, vamos falar um pouco dos buffers: eles têm como função adicionar um pouco mais de ganho a algumas frequências que tendem a se perder pela cadeia. Dessa forma, compensam as perdas que tanto foram citadas. Até esse ponto, o sistema BBP parece ser a melhor opção, porém trás duas principais desvantagens: nenhum sistema é perfeito e ele sempre acaba por não alterar somente as frequências perdidas, mudando também o timbre original do instrumento plugado quando o pedal está desligado; a segunda que em casos extremos, a adição de vários pedais “buffados” em série pode apresentar um aumento de ganho acentuado, a ponto de saturar seu timbre muito antes do desejado, trazendo distorções indesejáveis.


Ilustração do sinal sendo transportado pelo sistema buffered by-pass

Poxa, que legal! E agora? Qual é a melhor opção?
Eis aí uma das mais memoráveis discussões entre músicos, onde uns dizem que o BBP deixa o som mais bonito e sem perdas, enquanto outros defendem piamente que não deve haver nenhuma alteração no sinal original.
Em minha opinião o som da guitarra deve ser preservado a todo custo, pessoalmente sou fã pelo timbre mesmo sem a adição de efeitos, e infelizmente o BBP acaba por tirar um pouco da “magia” individual que cada instrumento e captadores apresentam em sua arquitetura.
Embora em alguns casos a utilização de buffers sejanecessária, listo a seguir alguns macetes e truques que vão fazer com que você possa minimizar a perda de sinal e se deleitar de efeitos TBP:
1.      Cabos: eles são talvez a maior fonte de degradação de sinal. Procure utilizar cabos de boa qualidade e nunca se esqueça: quanto menos cabos melhor, e quanto menores os cabos também.
2.      Conectores: procure utilizar conectores de boa qualidade. Se for você mesmo quem confecciona, tenha muito cuidado com as soldas e isolamento: opte por um serviço limpo e preciso.
3.      Se você tem um set grande de pedais, subdivida seus pedais em cadeias menores, utilizando pedais loopers ou switchers (logo mais vamos abordar melhor esse assunto).
4.      Para um set muito grande de pedais, abuse e use do seu loop de efeitos assim como procure adicionar um ou dois pedais BBP.
5.      Conserve bem seus cabos e conectores: parece besteira, mas a limpeza e conservação deles são imprescindíveis para sua durabilidade e qualidade. Ao guardar, enrole os cabos com cuidado, mantenha os cabos sempre longe da umidade, periodicamente faça uma limpeza na ponta dos cabos e conectores com um spray limpa contatos.
Bom pessoal, acho que por hora é só. Essa postagem tem como objetivo explicar um pouco desse assunto de maneira menos técnica possível, além de abrir um espaço para discussão entre músicos. A polêmica envolvendo os estilos de bypass é bem extensa, e para qualquer dúvida ou contribuição utilize os comentários abaixo!

Até mais, e bons sons!

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